Eu só quero chocolate ...
"Falamos semana passada dos benefícios que uma xícara de café, consumida com parcimônia e sem exageros, pode fazer no nosso estado de ânimo, revertendo situações de estresse dando uma nova disposição.
Mas e o chocolate? Quem não gosta de receber uma caixa de bombons ou uma linda e brilhante barra de chocolate? Que atire a primeira pedra quem à essa altura da leitura não está com a boca cheia d’água ao imaginar essa descrição?
Mas qual a fronteira que essa tentação criada pelos Olmecas e aprimorada pelos Maias há séculos atrás, impõe para que o seu consumo saudável, seja capaz de fazer bem ao invés de se tornar um perigoso vício?
Vamos fazer uma viagem por algumas verdades e mitos sobre o chocolate?
Benefícios: Mulheres em particular conhecem o bem o efeito de uma barrinha de chocolate no humor. Faz maravilhas durante a TPM – e é o estímulo perfeito naquela tarde chatérrima no trabalho, em que nada parece dar certo.
O problema: Também é bem conhecido. CHOCOLATE ENGORDA!! E parece impossível comer um só. Mas lembre-se como um mantra: Nem chocolate nem nenhum alimento tem o poder de resolver seus problemas ou ansiedades. No máximo funcionam, na dose certa, como coadjuvantes para aquela virada de rumo na qual você precisa muito mais de você do que de um agente externo. Ah, e outra coisa: chocolates recheados, doces, cremosos etc., precisam ser riscados do dia-a-dia. Dê preferências aos meio-amargos com 70% de cacau.
As verdades: O chocolate amargo, forte, delicioso, é recomendado DIARIAMENTE. Sim!!! É verdade, mas, como tudo, consumido moderadamente uma porção de 45 gramas, duas ou três vezes na semana. Esse consumo, vai ajudar a prevenir o colesterol e a proteger o seu coração.
Mais boas verdades sobre o chocolate: O chocolate amargo tem fenilalanina e tirosina, dois aminoácidos que estão ligados à felicidade. Os flavonoides do cacau contribuem para reduzir a pressão arterial e para controlar a glicose no sangue.
E aí chegamos a uma outra questão muito interessante: E o vinho, que combina tão bem com o chocolate? Faz bem ou mal ao coração?
Diversas pesquisas, amplamente divulgadas na mídia, sugeriram que o consumo moderado (palavra-chave) de algumas bebidas alcoólicas poderia proteger o coração das doenças coronárias (angina e infarto). O vinho tinto, em particular, tem outros componentes, além do próprio álcool: flavonoides e outros antioxidantes. Estas substâncias também estão presentes no suco de uva. Elas aumentam o chamado colesterol “bom” (HDL-colesterol) e afinam o sangue (propriedade anticoagulante).
Vamos ver algumas verdades comprovadas sobre bebidas alcoólicas e seu consumo: o limite considerado seguro, é baixo: duas doses diárias para homens e uma para mulheres, pois estas são mais sensíveis aos efeitos do álcool. Cada dose corresponde a uma lata de cerveja, uma taça de vinho ou uma dose de bebida destilada (uísque, aguardente, vodka, conhaque etc.).
Mas sempre é bom prestar a atenção, antes da desculpa de que “um pilequinho é bem melhor que uma série de abdominais”, lembre-se de que álcool é sempre perigo à vista. É para beber uma taça só – mesmo porque sua energia desaba com maior quantidade. Álcool além da conta está relacionado ao alcoolismo, pressão alta, obesidade, cirrose, derrame cerebral e a várias outras doenças. Álcool ainda prejudica o equilíbrio, a memória, a coordenação de movimentos, o raciocínio e aumenta o risco de acidentes. Ou seja, em excesso, acontece o inverso: em vez de fazer o bem, o álcool pode matar. E importante: se beber não dirija. Aliás, se beber não faça nada... E aprenda a não se exceder mais. Importante: quem tem triglicérides altos não pode beber NADA.
E entre todas essas verdades, existe uma mais que verdadeira, que ao contrário do que se propaga, não é mito: MULHER NÃO PODE BEBER COMO OS HOMENS. E isso nada tem a ver com inferioridade ou machismo e nem tampouco com apenas o fato de nossas avós acharem deselegantes (o que na verdade é...), mas os estudos comprovam que mulher realmente aguenta menos bebida alcoólica. O que ocorre é que as mulheres têm menos enzimas que metabolizam o álcool, portanto ficam alegrinhas num segundo e sofrem o dobro com a ressaca no dia seguinte.
E lembrando novamente: SE BEBER, NÃO DIRIJA!"
*Lívia Teixeira, é clínica geral e anestesista. Formada em medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, fez especialização e residência em anestesiologia na Boston University (USA) e trabalhou no Quebec General Hospital, em Quebec City, Canadá.
Atualmente é médica anestesiologista na Clínica São Vicente, no Rio de Janeiro e sócia e diretora clínica do CEMPE, Centro Médico de Penedo, região Sul Fluminense.


