Olá, estimados (as) leitores (as)!
Hoje, dando continuidade a essa série riquíssima sobre a saúde do coração, de minha querida amiga, Dra. Lívia Teixeira, neste texto, temos a colaboração de Luiza Teixeira, estagiária de nutrição da UFRJ. Espero que apreciem esses compartilhamentos para uma vida saudável.
Olha o estresse aí, gente!
"Continuando a falar dos efeitos terríveis que o estresse provoca no nosso coração, hoje a gente vai procurar entender um pouquinho desse misterioso mecanismo que nos leva a situações extremas em que o nosso corpo é inundado por hormônios que nos fazem tão mal, mas falaremos também de coisinhas que, levam fama de vilões, mas podem ajudar muito a dar uma baixada de bola no estresse nosso de cada dia. Embarquem e vamos lá.
A verdade é que o corpo humano foi preparado pela natureza para se estressar diante do perigo – um animal pré-histórico por exemplo – e nos ajudar na nossa defesa. Isso explica porque se reage assim:
- Os músculos começam a se contrair para nos proteger;
- O metabolismo acelera e a frequência cardíaca, tanto quanto a quantidade de sangue bombeada em cada batimento aumenta;
- A respiração fica mais intensa;
- O estômago fecha;
- As pupilas dos olhos se dilatam, ampliando a visão. Outros sentidos se aguçam, como a audição;
- Sabe por que dá uma vontade louca de ir ao banheiro quando estamos assustados? É o corpo da gente evitando infecções prevenindo, caso um agente inimigo nos cause uma lesão no abdome.
- O sangue coagula mais rapidamente;
- As artérias nos braços e pernas se contraem, evitando a perda sanguínea – daí aquela sensação de mãos e pés gelados, congelando de medo;
O X da questão: Na vida moderna, a chance de nos depararmos com um animal que nos ataca é mínima. Se não tentarmos evitar o estresse, ao nos sentirmos ameaçados por qualquer coisa do cotidiano, nosso corpo passará por tudo isso aí, na maioria das vezes de forma desnecessária, o que acarreta muitos males, todos baseados num instinto de sobrevivência que vem de nossos ancestrais e está impregnado em nossa genética.
Feliz mente, da mesma forma que o mundo moderno nos trouxe situações diárias que nos induzem ao estresse, nos trouxe também, formas de “reprogramarmos” nosso corpo para evitar esse desgaste físico-químico que, se por um lado em algum tempo de nossa existência nos ajudou a sobreviver, corrói de tal forma o nosso organismo que pode nos matar precocemente, pois a cada evento, perdemos células importantes. Terapias de diversas formas, meditação, exercícios de relaxamento, yoga, entre muitos outros, são caminhos que podem ajudar a controlar a ansiedade, que é o condutor ideal para o estresse.
E nesse meio de caminho de diversas mãos, muitos mitos e verdades, nos impelem a cometer erros, que pensando em não “piorar o estresse nosso de cada dia”, acabamos criando mais ansiedade que leva a mais estresse e entramos num ciclo de paranoia. Vamos falar de alguns?
Aceita um cafezinho?
Sim! Pode aceitar sem susto. A cafeína produz endorfina, estimula o funcionamento do organismo e ativa a memória. Estudos recentes defendem que o café, desde que se tome até 4 xícaras diárias, faz bem ao corpo. Afinal, o café tem ácidos clorogênicos (que modulam o estado de humor e ajudam a combater a depressão), quinídeos (melhoram a circulação) e vitamina B3, todos eles ótimos oxidantes, ou seja, que limpam as toxinas do seu organismo. Sem o abuso, e com o aval de seu médico, café é ótimo. E alguns estudos mostram que o consumo regular de café pode ajudar a reduzir a incidência de diabetes tipo 2.
Agora, nem pensar em café combinado a cigarros, aí o café vira veneno. O cafestol e o kahweol, substâncias encontradas no café, podem aumentar os níveis de colesterol total e do colesterol ruim, o LDL.
Uma boa dica é o café filtrado no lugar do expresso para quem tem colesterol elevado.
Mas e se quiser tomar o café com açúcar? Pode? O açúcar dá energia, ânimo, como bom carboidrato que é. Mas quem come açúcar demais, além de correr o risco de engordar e ficar com diabetes, pode sofrer com aumento e queda violentos de glicose – ou seja, o corpo se estressa, quer mais açúcar e entra no círculo vicioso. Nessa hora, em vez de proporcionar energia, ele só vai deprimir o sistema nervoso central e lhe desanimar. E atenção: quem tem diabetes ou quem está com triglicérides elevados não deve consumir açúcar – ou consumir pouco. Quanto mais açúcar, maior seu peso e menor a sua disposição. E ainda maior é o risco de problemas cardíacos.
Um cafezinho sem açúcar, pode parecer amargo no primeiro momento, mas quando você se acostuma, e acredite, nosso corpo é programável e você se acostuma, o degustar uma xícara de café fica ainda mais gostoso.
Bom, nós vimos que o cafezinho pode ser um aliado da nossa saúde contra o estresse. Mas e o chocolate? Vamos falar dele na próxima semana?"
*Lívia Teixeira, é clínica geral e anestesista. Formada em medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, fez especialização e residência em anestesiologia na Boston University (USA) e trabalhou no Quebec General Hospital, em Quebec City, Canadá.
Atualmente é médica anestesiologista na Clínica São Vicente, no Rio de Janeiro e sócia e diretora clínica do CEMPE, Centro Médico de Penedo, região Sul Fluminense.

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