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terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Saúde do Coração

 

Olá, leitores e leitoras!

Na série sobre "Saúde do Coração", a Dra. Lívia fala sobre operigo do estresse. Trás dicas e receitas para nos ajudar a lidar melhor com esse vilão que pode roubar nosso bem estar. Desejos atodose todas uma ótima leitura!

"Estresse, todo mundo sabe, é viver no limite – ou passar da conta. Pode ser positivo. O estresse nada mais é, do que uma forma de adaptação e proteção do corpo contra agentes externos e internos. Coisas boas podem estressar saborosamente: saltar de paraquedas, ganhar um beijo que provoca vertigens, correr numa maratona...

Aquele momento de intensidade máxima, quando a euforia é tanta que o coração parece que vai sai pela boca. Como quando a gente é criança e vê o mar pela primeira vez e, com a respiração apressada, solta um grito de emoção na hora de pular uma onda... e depois outra e mais outra. As risadas, a gritaria, uma alegria que é de tudo, da vida num dia de sol bom, a espuma, o céu azulzinho, a mão entrelaçada na mão firme do pai...

E então o coração volta ao lugar, satisfeito, e tudo fica lindo.

Aí é que mora o relax: na paz depois do estresse, aquela abaixada de bola. O alívio gostoso depois da adrenalina da onda, da brincadeira, do sexo, da descida de montanha russa, da surpresa... ou mesmo depois de uma situação dificílima, quando vem o suspirinho profundo e tranquilizador de missão cumprida. Quando esse alívio não vem, quando o corpo se esquece de voltar para o sossego e pensar noutra coisa, o estresse não vai mais embora. Fica rondando ali, sombra escura, sem parar. E pode se tornar maior, constante, devorador. Um estado de tensão infinito que corrói aos poucos. De um minuto para outro, você se reconhece nas cenas do seu cotidiano que fazem extremamente mal:

1. Está gritando com o porteiro do prédio;

2. Enfiando a mão na buzina, porque o sujeito na sua frente levou dez segundos para acelerar o carro;

3. Chorando sem enxergar nenhuma saída, diante de uma tarefa no trabalho, ou porque o marido riu errado do vestido ou do corte de cabelo novo.

Agora, se essa vontade de acabar com tudo domina a sua vida, seu sono, seus sonhos, então o seu coração já está à beira de um colapso. Você entrou no lado negro do estresse.

A saída desse beco escuro, está num balanço entre a sensatez e a insensatez. Sensato é desacelerar o ritmo de trabalho, diminuir a ingestão de comidas gordurosas e açucares em excesso, comer alimentos mais saudáveis. Sensato é ir à praia no fim de semana, inventar novos passeios que não encareçam seu bolso (senão gasta-se o dinheiro que não se tem e o estresse aumenta), procurar uma atividade física que lhe agrade, tomar um solzinho, meditar alguns minutos diariamente... Mas sensato demais, também é chato à beça. Uma pitada de insensatez é necessária – é ir atrás de um desejo bom, realizar um sonho de infância, aprender algo novo, às vezes contra a opinião geral.

Para tudo isso, claro, tem que ter estímulo. E o estímulo pode começar pela boca. A EQUAÇÃO É FÁCIL: Com os alimentos certos, você AUMENTA sua ENERGIA e o corpo responde rapidamente ao BEM-ESTAR – tem mais disposição para dançar, trabalhar, namorar, se exercitar, ir atrás do que quiser. Com os alimentos errados, você DIMINUI a ENERGIA e se sente mais cansado, mais tenso, mais estressado, dorme mal. Só tende a piorar o que já esteja ruim...

Frutas, verduras, legumes, proteínas, que podem sim ser carnes com pouco óleo e muito sabor nas ervas e temperos novos. Alimentos integrais que, feitos do jeito certo, ficam bons de verdade, até melhores que os refinados. Um cafezinho fumegante no final da tarde. Um chocolate, santo chocolate, que enche a gente de bom humor na hora da mordida.... Pequenos encantos para a vida diária. Grandes inspirações para estimular a mudar o que precisa ser mudado. Ah, e se você gostar, uma taça de vinho no jantar. E com já que falamos em vinho, nada melhor do que depois de um dia cansativo e estressante, um jantar, com uma pessoa querida ou mesmo só você, com uma bonita mesa bem posta, um prato saudável, com sabores diferentes. 

Com a colaboração da Dra. Luíza Teixeira, estagiária em Nutrição Clínica e chef de mão cheia, vou dar uma sugestão de um jantar simples, um ROBALO COM PURÊ DE BANANA-DA-TERRA E ASPARGOS AO AZEITE ao qual o estresse malvado não vai resistir. Bom apetite.

Para o ROBALO (para duas pessoas):

2 filés de 200 g cada de robalo (ou qualquer peixe branco de boa qualidade)

Sal

Pimenta-do-reino-branca moída na hora

Azeite extra virgem

Tempere o peixe com sal, pimenta-do-reino e azeite. Reserve para grelhar na hora de servir em uma frigideira antiaderente aquecida com um fio de azeite.


Para o PURÊ DE BANANA-DA-TERRA:


4 bananas-da-terra bem maduras

1 colher de sopa de azeite

Sal

Pimenta-do-reino-branca

Cozinhe as bananas com casca na panela de pressão por 1 hora aproximadamente; retire do fogo, descasque as bananas cuidadosamente e passe por um passador de purê; aqueça o azeite em uma panela, junte o purê de banana, misture bem, acerte o sal e a pimenta. Sirva bem quente acompanhando o peixe.

Para os ASPARGOS:

6 aspargos verdes frescos fatiados finamente na diagonal

2 colheres de sopa de azeite extra virgem

Sal

Aqueça o azeite em uma frigideira antiaderente, junte os aspargos e salteia-os em fogo alto, não deixando juntar água, até que estejam “al dente”; acerte o sal e se desejar um pouco de pimenta-do-reino.

Sirva com uma taça de vinho branco boas energias e se permita entender que tudo é impermanência e amanhã será outro dia com a vida nos oferecendo muitas coisas boas."


Lívia Teixeira, é clínica geral e anestesista. Formada em medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, fez especialização e residência em anestesiologia na Boston University (USA) e trabalhou no Quebec General Hospital, em Quebec City, Canadá.

Atualmente é médica anestesiologista na Clínica São Vicente, no Rio de Janeiro e sócia e diretora clínica do CEMPE, Centro Médico de Penedo, região Sul Fluminense.



segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

Saúde do Coração

 


Primeiro as damas...

"...Só que infelizmente não. Ao contrário do que diz o senso comum e as crenças populares, mulheres sofrem, sim, de infarto, quase tanto quanto os homens. E o pior é que correm mais riscos do que elas na hora do diagnóstico. A razão às vezes é um cavalheirismo ao contrário. E vou ainda mais além, as próprias mulheres muitas vezes não valorizam seus sintomas, retardando a procura de um médico, priorizando sempre a saúde e o bem estar de seus filhos e maridos/companheiros/pais.

Agravando essa situação, que beira o trágico, esse (des)senso comum conduz a uma cultura enraizada onde se uma mulher chega ao pronto-socorro queixando-se de dor no peito, muitas vezes os médicos não diagnosticam infarto, imaginam prioritariamente tratar-se de outras causas.

Uma das pautas mais importantes dos movimentos de valorização da mulher deveria ser a agenda da saúde. A maioria das políticas para a mulher do Ministério da Saúde, concentram foco na questão ginecológica, o que é importante. Exames preventivos e monitoramento de mamas para evitar câncer são sim fundamentais, mas nunca vi nenhuma agenda, nenhuma campanha focando na saúde cardíaca da mulher, e cabe lembrar que vivemos em um tempo, onde a mulher, apesar das desigualdades, tem hoje o mesmo nível ou mais, de responsabilidades e é submetida a tanto estresse quanto os homens.

O que como médica e como mulher recomendo é que se permita VIVER. FELICIDADE é a melhor prevenção e o melhor remédio. Buscar harmonia com a vida, se permitir mudanças com frequência, se reinventar e reescrever a própria história sempre que possível, mas com atenção em se cuidar. Um check-up anual e acompanhamento médico sempre, e, pelo menos uma vez por ano, se permitir uma aventura, uma viagem, um passeio.

Sobre se permitir viver, vamos conhecer uma história com final feliz, a história de Laura, que nos traz a inspiração de como é bom e o quanto faz bem quando o coração dá alegres reviravoltas.

Laura se sentia a última das criaturas. Não saia mais de casa desde o acidente de carro em que ela quebrou a perna e a clavícula, e viu o namorado morrer um mês antes do casamento marcado. Nada mais tinha graça. Amigos queriam consolá-la: um chamava para jogar buraco; outro, para pegar um cineminha. As amigas do trabalho tentavam, em vão, arrastar Laura para compras, sorvete, manicure, jantar com um primo do amigo, um gato... Nada. Mais de um ano se passara. Laura não queria nada. Fechou o coração. Vivia meio por obrigação; era o que dizia, para desespero de sua mãe.

Um irmão que morava na Austrália acabou convencendo Laura a se mudar para lá. Ela topou. E na Austrália ensolarada, gente nova, outro idioma, foi tomando gosto pelas coisas do novo. Um dia achou um bilhete no bolso de uma calça jeans que havia esquecido no fundo da mala. 

Uma cena lhe voltou, em flashback, feito novela.

“Você vai para a Austrália? Tenho uma grande amiga lá, brasileira, liga para ela” – era o Diogo, colega do escritório, entregando um papel para Laura na véspera da viagem.

“Tá bom”, ela respondeu, enfiando o bilhete no bolso do jeans.

Ela sorriu da lembrança e resolveu ligar para o tal número. Já estava na Austrália. Podia ser divertido falar de um amigo brasileiro, sair um pouco... A amiga do amigo, gentilmente foi buscar Laura. No carro, contou que pintava e bordava roupas de cama, e que precisava entregar uma colcha numa casa. As crianças, no banco de trás, pulavam como cangurus.

Na porta da casa do cliente, a moça pediu: “Laura, desce você. É só entregar. As crianças estão muito inquietas. Vou ficar no carro”. Laura atendeu. A casa era pequena, linda, com cara de filme – com uma grande árvore em frente da calçada. Tocou a campainha... E, se você apurar os ouvidos, vai escutar os mesmos sininhos que Laura escutou – no coração dela. Na porta, um australiano cheio de saúde, tipo surfista, sorriso tinindo, parecia um anjo. Mas um anjo bonito à beça.

O moço deve ter ouvido os mesmos sininhos, tanto que, dias depois, descobriu o telefone dela. Eles saíram, cainharam à beira-mar, deram as mãos e fizeram planos. A essa altura o coração de Laura estava tão acelerado que ela nem titubeou. O casamento aconteceu semanas depois, com a mesa posta com bolo, champanhe e docinhos na calçada, embaixo da árvore. Quem passasse na rua era bem vindo. Laura, só sorrisos, esqueceu de vez o Brasil, o trabalho antigo, os dramas, as tristezas, os pedidos dos amigos que diziam que aquilo era só um amor de verão, bom para curar a dor, mas que já estava na hora de voltar...

Laura nem aí... Na última vez que visitei Laura com duas outras amigas, em 2016, incrédula vi Laura e o maridão dividindo uma onda animal Bells Beach, na província de Victoria.

Dizem por aí, que até uns anjos de verdade espiavam a cena, sorrindo felizes, mas isso a gente não pode afirmar com certeza..."

*Lívia Teixeira, é clínica geral e anestesista. Formada em medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, fez especialização e residência em anestesiologia na Boston University (USA) e trabalhou no Quebec General Hospital, em Quebec City, Canadá.

Atualmente é médica anestesiologista na Clínica São Vicente, no Rio de Janeiro e sócia e diretora clínica do CEMPE, Centro Médico de Penedo, região Sul Fluminense.



sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

Amizade, Remédio Natural para a Saúde


Não há ninguém que não tenha um amigo ou amiga. Afinal, somos seres sociais. Fomos feitos para viver em grupo. E, talvez nem saibamos muito bem, apenas intuitivamente, a força, a necessidade e aprendizagem que uma amizade pode proporcionar. 
Todos precisamos de uma rede de apoio. Sem isso, impossível viver. Mas os amigos são essenciais. Por isso quem se isola, tende a adoecer e morrer com uma péssima qualidade de vida. 
Ter um (a) amigo (a) é sentir-se querido (a), amparado (a), amado (a). O afeto nos afeta. E ele, quando correspondido, trás benefícios ao coração, ao cérebro, pulmões, etc. Nossa vida ganha um novo colorido. Inclusive, tem gente que tem mais afinidade com amigos que com os parentes. E tem parentes que são grandes amigos! 
Claro que podemos mudar de amigos ao longo da vida. Permancer por décadas com outros. O importante é que aja essa sintonia, essa troca tão boa de energia que tanto faz bem. Seja através do abraço, do beijo, de um conselho ou um olhar carinhoso. Principalmente nestes tempos de pandemia, devido ao isolamento social. Mas amigos sempre dão um jeitinho pra se comunicar com a gente. Estarem por perto. Ainda que longe fisicamente.
Segundo o Buda Shakyamuni, nós precisamos não só de amigos. Mas de "bons amigos." Ele disse que bons amigos, possuem 4 características:
1- oferecem ajuda.
2- são os mesmos na alegria e na tristeza.
3- dá bons conselhos.
4- se compadece.
Mais que apenas esperar isso dos amigos, podemos olhar para nós mesmos e perceber se temos e podemos oferecer de alguma forma isto para nossos amigos. Assim estaremos cuindando de nossa saúde integral e da deles também. Afinal, amigos cuidam uns dos outros. 
Amizades saudáveis é o que desejo a todos e todas!
Saúde abundante para todos nós!!!

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Saúde do Coração

Olá leitores e leitoras!
Apresento a vocês mais um texto de minha amiga, Dra. Lívia V. Teixeira. 
Sei. Está com um dia de atraso. Mas foi por minga causa. Não consegui colocar ontem. Espero que apreciem e aproveitem a riqueza de cada texto desta série.

"Amor, meu grande amor
Os médicos recomendam: depois do infarto você vai poder namorar, sim. Sexo é saudável – desde que você não tenha tido complicações maiores e que seu médico ateste que está tudo bem.

Poder de Síntese
A OMS (Organização Mundial de Saúde) recomenda a ingestão máxima de dois gramas de gordura trans por dia. E a porção de batatinha frita que você gosta de atacar enquanto vê o filme na TV, tem por baixo, oito gramas. Troque o petisco por mini-cenouras, tomate com erva doce, peito de frango em cubinhos, um queijinho branco com manjericão e um fio de azeite, ou uma tijelinha de grãos torrados de grão de bico.
A partir da próxima semana, eu, em parceria com a Luíza Teixeira, estagiária em Nutrição na Clinica São Vicente (RJ), estaremos publicando aqui, uma série de dez receitinhas que alegrarão a sua vida, e substituirão aquela vontade louca de comer batatinhas fritas, linguicinhas, torresminhos. O seu coração ficará aliviado e o corpo agradece, como o do meu amigo Rafael Fraga, jornalista que hoje, aos 48 anos, viu seu mundo cair aos 39: Rafa, fumava dois maços de cigarro por dia, não estava nem aí para a alimentação. O corpo, cansado, pouco se mexia. Teve um infarto, dois meses depois do nascimento de seu segundo filho. Deu uma feliz cambalhota no destino e aprendeu a se desapegar dos maus hábitos e de umas situações que lhe tiraram o sono um bocado de vezes.  Para esse artigo, fiz uma pequena entrevista com ele, para que ele mesmo tivesse a oportunidade de contar aqui para vocês.

(Lívia) – Rafa, o que mais te preocupou depois do infarto?
Rafael Fraga – Eu senti uma certa culpa por não ter me cuidado antes. Sofri muito para abandonar o cigarro, tanto que não larguei de cara. Só quando o médico me disse, com todas as letras, que era largar ou eu morria.
(Lìvia) – A vida mudou depois de...
Rafael Fraga - ...eu largar o cigarro. Também comecei a fazer natação e a cuidar da minha alimentação. Cortei frituras, diminui bastante o consumo de carne vermelha, seguro a quantidade de doces. De vez em quando eu escorrego, claro, mas vou ao médico de três em três meses, faço o controle de colesterol, triglicérides, glicemia. No começo, a gente muda à força, por isso é difícil. Depois, sente que o corpo agradece.
(Lívia) – Uma dica sua para os amigos que lerão esse texto...
Rafael Fraga – Para mim funcionou muito entrar num grupo de apoio à fumantes. Era no Hospital Samaritano. É ótimo, porque suaviza a interrupção do cigarro, e você se enxerga nas histórias dos outros fumantes...
A história do Rafa, é uma história que se repete às centenas de milhares pelo mundo afora diariamente. Infelizmente, nem todos tem o desfecho que o caso do Rafa teve, onde abriu-se e ele enxergou uma janela de oportunidade para recuperar a saúde perdida.
Faça como o Rafa, e antes de acontecer, veja-se na história dele e parta para uma mudança radical em sua vida."

Lívia Teixeira, é clínica geral e anestesista. Formada em medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, fez especialização e residência em anestesiologia na Boston University (USA) e trabalhou no Quebec General Hospital, em Quebec City, Canadá.
Atualmente é médica anestesiologista na Clínica São Vicente, no Rio de Janeiro e sócia e diretora clínica do CEMPE, Centro Médico de Penedo, região Sul Fluminense.


sábado, 9 de janeiro de 2021

Silêncio. Estado Essencial para a Saúde

Vocês já considetaram como o silêncio integral, isto é, interno e externo, contribui eficazmente para a nossa saúde?
Sim. Precisamos reservar diarimente momentos deste precioso "remédio" natural contra o stress, ansiedade, agitação, falta de foco, irritabilidade, entre outras características de nosso tempo. Marcado por uma correria frenética e desenfreada. 
E uma das formas mais poderosas é aprender algum tipo de prática meditativa. Seja ela, vissapana, shamata, transcendental, entre outras. Comece devagar. Dê o primeiro passo sob acompanhamento de um (a) intrutor (a). Aprender o tipo de meditação que melhor se encaixa no teu estilo de vida. 
Outro modo de adentrar esse silêncio no cocotidiano é estar em meio à natureza. Seja numa visita a um bosque, parque, floresta, pedalar, caminhar... Tudo que lhe aproxime da natureza, sempre com uma mente vazia, isto é, sentindo as sensações, vivenciando tudo sem ficar pensando sobre. Deixar os pensanentos virem e irem. Sem apegar-se a eles.
Ou simplesmente buscar um local tranquilo em sua casa. Sentar consigo mesmo (a), desfrutando sua solitude. 
Sei que é muito difícil no começo. Mas com o treino, persistência, determinação e perseverança, conseguiremos.
O silêncio não deve ser um luxo para poucos. Deve ser um exercício contínuo de vivência diária desta nobre qualidade; essencial para nossa sanidade mental.
Ao contrário do que muitos pensam, o silêncio não deve ser um privilégio para poetas e poetisas. Cientistas, monges e monjas contemplativos. Mas sim de todos e todas. Uma verdadeira bênção para cada um (a) de nós que, se não reaprendermos a parar e silenciar vamos sucumbir diante da avalanche de estímulos que constantemente somos bombardeados de vários meios. Que o nosso silenciar não seja apenas uma fuga de toda essa loucura. Mas um ato de sensatez nesta sociedade barulhenta que tem medo do silêncio. Portanto, se a gente não quiser experienciar uma mente doentia, reservemos um tempo precioso para seguirmos firmes em nossa jornada.
Saúde e vida abundante para todos nós!!!!

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Saúde do Coração



Olá leitores e leitoras!
Dando continuidade a série "Saúde do Coração", este é o terceiro texto de minha estimada amiga, Dra. Lívia V. Teixeira. Espero que estejam aproveitando estas dicas valiosas! Boa leitura!

CORAÇÕES INTENSOS

“Quando um coração que está cansado de sofrer/encontra um coração também cansado de sofrer” (Caminhos Cruzados – João Gilberto)

Não faz muito tempo. Sofrer do coração tinha lá o seu charme. No sentido figurado, é claro. Casais se apaixonavam embalados em letras de canções doídas, cenas de amor em cafés esfumaçados, garrafa de uísque como testemunha...
Era a fossa com sua angústia à meia-luz e o seu peito apertado. No sentido literal, o da saúde, corações sofriam um bocado também, mas quase sempre era por desconhecimento de causa. Bastava olhar ao redor para sucumbir aos perigos cardíacos: as propagandas, o cinema, as revistas, todos ensinavam a fumar, a beber para uma vida mais glamourosa. Mulheres estavam liberadas para pesar acima dos 60 quilos, raros homens pensavam em academia, e sedutores famosos como Vinicius de Moraes se orgulhavam de suas barrigas boêmias. E comida light, francamente, era coisa de bandeja de hospital.
Foi ali pelos dourados anos 50/60, que o compositor e cronista Antônio Maria, sucesso absoluto com sua ultra dramática canção “Ninguém me Ama” (olhe os versos: “Ninguém me ama, ninguém me quer/Ninguém me chama de meu amor”), se definia como um cardiodisplicente (isto é, um homem que não ligava para o próprio coração). Ah, o coração de Antônio Maria sofria. Ele se apaixonava pelas mulheres quase impossíveis, brigava na mesma intensidade, e, entre um croquetinho e um sanduíche de pernil nas boates de toda noite, trabalhava em rádio, jornais, TV, num ritmo de maratona. Escrevia e comia como se o mundo fosse acabar dali a duas horas – e, se era para acabar, que fosse diante de uma feijoada.
Contei essa só para abrir um sorriso nostálgico, mas a história de Antônio Maria – e de tantos outros abusados da mesma linha (você vai conhecer alguns ao longo das histórias...) – não acabou bem. Ele teve dois infartos. Depois do primeiro, médicos viviam lhe puxando a orelha, implorando que mudasse seu estilo de vida. Em vão... Antônio Maria estava ocupado demais em ser cada vez mais intenso. Morreu aos 43 anos, gordo, na porta de um bar, como em um samba-canção.
Bom, o tempo passou. Antes que você se assuste, vamos assoprar a fumaça do passado e observar, com clareza, o que fazem os corações intensos deste século 21. Cigarro e pôquer já não têm essa graça toda, é verdade. Agora os homens de todas as idades lotam as academias, as mulheres têm mania de magreza, a vida saudável é apregoada nas bancas de revistas e programas de TV, diet e light são palavras de todos os cardápios, as músicas trazem muitas outras bossas. Mudaram as modas, mas a mania do exagero continua a mesma. Hoje o trabalho é demais, o trânsito é demais, as contas são demais, a violência é demais, o medo é demais, o trânsito é demais. E o coração, ah, esse, está cada vez mais apertado.
Você que talvez tenha sido um cardiodisplicente, sabe que não é fácil. Um dia foi obrigado a parar porque um infarto ou uma angina, ou um cateterismo – algo que ameaçou seriamente o seu coração, fez soar um apito do destino, alertando que era hora de mudar. Depois desse forte impacto na vida que é o infarto do miocárdio, você tem de começar uma nova história. Agora é cantarolar “quando um coração está cansado de sofrer”, como o João Gilberto, e partir para escolhas mais saudáveis.
Acontece que nessas coisas do coração a gente se engana. E, na saúde, é como no amor: balançamos, frágeis, entre verdades e fantasias, com aquela pulga atrás da orelha se é por aí mesmo. Dá pra confiar num filé malpassado? Aquele chopinho sedutor vai acabar com você? O que comer? O que não comer? Um dia você se aflige, pensando que vai passar o resto da vida comendo franguinho e salada sem sal. No outro, anunciam na mídia que foi tudo um engano e que ovo é ótimo. A sensação é a de que já disseram mais bobagens sobre o que faz bem ou mal para o coração do que sobre qualquer outro assunto.
Nesses textos, tentarei ajudar a dar receitas, esclarecer o que é mito e o que é real na alimentação e nos hábitos de vida para você se cuidar com amor. Sim, talvez você se sinta frágil no momento em que leva um susto, mas, antes que aconteça, melhor mesmo é prevenir, e tenho certeza de que quando descobrir que tudo pode ficar mais saboroso, divertido, derramado de vida com os cuidados certos, com a alimentação balanceada, o seu coração vai bater feliz. 
Abuse do seu coração, mas do jeito certo: em vez de se estressar tanto no trabalho, vá fazer algo que goste. No lugar de comidas gordurosas, horas na frente da TV, cigarro na mão, experimente um passeio diário no parque, respirar apressado na paquera no cinema, ou sair de braços dados com quem você ama. O amor começa num olhar novo para quem vive com você. No trabalho voluntário, no sorriso de uma criança ao ouvir uma história que você conta, o amor começa. No telefonema para alguém que já lhe despertou a vontade de fazer grandes planos. No primeiro beijo. A qualquer momento, em qualquer esquina, por qualquer razão, você pode abusar, com poesia e saúde, do seu coração.
Então, ao aprender a se cuidar direitinho, você vai redescobrir as delícias de viver intensamente. E, com a consciência do que lhe faz bem, vai poder atualizar uma das frases mais lindas do nosso cardiodisplicente Antônio Maria: “O homem só tem duas missões importantes: amar e escrever à máquina. Escrever com dois dedos, amar com a vida inteira”. 
Até a próxima.

“Covarde, sei que me podem chamar/porque eu trago no peito esta dor/atire a primeira pedra, iaiá/aquele que não sofreu por amor” (“Atire a Primeira Pedra” – Demônio da Garoa)

SORRIA, MEU BEM!
Aprender a sorrir para o que existe em cada momento é o melhor jeito de mudar sua vida e evitar novas complicações. Até a ciência se curva às reais vantagens de ser um otimista: estudo do instituto Delfland de Saúde mental, na Holanda, cientistas avaliaram 545 homens durante 15 anos e concluíram que os mais felizes tiveram menos riscos de problemas cardiovasculares."

Lívia Teixeira, é clínica geral e anestesista. Formada em medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, fez especialização e residência em anestesiologia na Boston University (USA) e trabalhou no Quebec General Hospital, em Quebec City, Canadá.
Atualmente é médica anestesiologista na Clínica São Vicente, no Rio de Janeiro e sócia e diretora clínica do CEMPE, Centro Médico de Penedo, região Sul Fluminense.

As Mulheres na Linha de Frente na Pandemia - Cuidados com a sua Saúde Mental

Estamos no mês dedicado à mulher. Um momento propício para reflexão. Sobretudo, neste período de pandemia. Quantas médicas, enfermeiras, tod...